terça-feira, 17 de julho de 2012

O Resumo da Prancha [AeU].


Trabalho apresentado às disciplinas de Paisagismo II, Tecnologia do Restauro e Projeto V para conclusão do 7º período do Curso de Arquitetura e Urbanismo – Campus II do Centro Universitário Fluminense – Campos/RJ.

Por Armando Rocha e Aline Gualberto.


1.     INTRODUÇÃO
Este projeto foi elaborado com o objetivo de revitalizar o centro da cidade de Campos dos Goytacazes, a partir da preservação do Novo Hotel Flávio, localizado à Rua Carlos de Lacerda, no 46, Centro.
O centro da cidade é movimentado nos horários comerciais e encontra-se totalmente deserto fora destes horários e nos finais de semana tornando-o perigoso para pedestres e alguns moradores que residem no local ou próximo a ele.

2.     OBJETIVO
Transformar o Novo Hotel Flavio em uma casa de entretenimento e lazer para atrair o público jovem e maduro trazendo movimento no horário noturno e finais de semana e instalar uma casa de chá e lanches agregada a uma livraria com cyber-café na área da antiga Casa Terra que funcionará também nos finais de semana e como happy-hour.
A praça Batalhão Tiradentes será reformulada com um novo projeto paisagístico, fazendo parte da praça o trecho da Rua Carlos de Lacerda entre a Av. Sete de Setembro e a Rua 21 de abril.

3.     MEMORIAL HISTÓRICO
A desgastada edificação do Novo Hotel Flavio, situado à Rua Carlos Lacerda, centro, encontra se em estado avançado de deterioração. Sua fachada tem características do estilo predominante da época na região. O edifício faz parte do antigo corredor cultural. Podemos afirmar, pela aparência atual, que ele foi construído em tijolo maciço.
Entre as décadas de 40 e 60, o Hotel Flávio era considerado um importante ponto de referência e muito procurado por viajantes em face à sua importância social e localização estratégica no centro comercial da cidade.
Atualmente o centro da cidade tem sido explorado exclusivamente pelo comércio com intenso movimento durante o dia e à noite não há nada que atraia interessados com exceção de interesses marginais. (Armando – 05/12/2011)
Pouco se sabe a respeito do que levou o hotel a chegar ao estado que se encontra hoje, no entanto, por pesquisa informal, soubemos que não houve interesse dos herdeiros em mantê-lo funcionando levando-o ao abandono. Outros relatam que os proprietários não tinham condição de mantê-lo e deixaram acabar à ruína para remoção sem despesas para simples especulação imobiliária.
O fato é que hoje a edificação é ocupada ilegalmente por moradores de rua ou pessoas sem opções de moradia trazendo um transtorno social a um local comercial e socialmente nobre. Por outro lado, o poder público ignora completamente este desvio.


Fotos atuais do hotel e entorno:




4.     MAPA DE DANOS (exemplo):



1.     4.1. IDENTIFICAÇÃO E SOLUÇÃO DAS PATOLOGIAS ENCONTRADAS NA FACHADA DO NOVO HOTEL FLÁVIO – OBJETO DE ESTUDO PARA MAPA DE DANOS (anexo):

4.1.1. Perda de Reboco:
Adotar solução de acordo com a Ficha de Aplicação de Técnica TA02, pag. 122.

4.1.2. Perda de Ornamento Integrado:
Adotar solução de acordo com a Ficha de Aplicação de Técnica TA04, pag. 123.

4.1.3. Crosta Negra (umidade):
Adotar solução de acordo com a Ficha de Aplicação de Técnica TPE01, pag. 87 ou TPE04, pag. 90.

4.1.4. Vegetação
Adotar solução de acordo com a Ficha de Aplicação de Técnica TT02, pag. 102, e em seguida aplicar a técnica TPE01, pag. 87.

4.1.5. Perda de Vidraça
Para vidros quebrados, a recomendação do Manual é a retirada dos estilhaços presos e instalação de novo (item 08, pag. 61) com aplicação de massa de calafetar (item 07, pag. 60).

4.1.6. Oxidação e Corrosão nas partes metálicas:
Adotar solução de acordo com a Ficha de Aplicação de Técnica TPE02, pag. 88, e em seguida aplicar a técnica TPE03, pag. 89. A pintura deve ser de acordo com a técnica da ficha TP04 (pag. 186).

4.1.7. Perda do corrimão do guarda-corpo:
Conforme item 04 (pag. 60); “Com a orientação das fichas DU identifique as fontes de umidade e solucione-as, em seguida procure um bom carpinteiro e substitua, no todo ou em suas partes, as peças danificadas com madeira de qualidade.”

4.1.8. Perda de partes metálicas do guarda-corpo:
Adotar solução de acordo com a recomendação do item 10, pag.61: “Peças quebradas, que não for possível recuperar, tanto na ferragem de fixação ou na de vedação, substitua por similares de boa qualidade.” Neste caso será necessária a utilização de um serralheiro artesão para confecção das peças faltantes e em seguinte proteger estas peças de acordo com a técnica da ficha TP04 (pag. 186).

4.1.9. Trinca:
Adotar solução de acordo com a Ficha de Aplicação de Técnica TL01, pag. 80. Após proceder às recomendações acima procure a ficha TA02 (reintegração de reboco) e a ficha TP02 (reintegração de pintura).

4.1.10. Reboco Pulverulento:
Adotar solução de acordo com a Ficha de Aplicação de Técnica TU10, pag. 150. Após proceder às recomendações acima procure a ficha TA02 (reintegração de reboco) e a ficha TP02 (reintegração de pintura).

4.1.11. Perda de Luminárias:
Não há solução específica para reconstituição das luminárias. Neste caso será necessária a utilização de um serralheiro artesão para confecção das peças faltantes e em seguinte proteger estas peças de acordo com a técnica da ficha TP04 (pag. 186).

4.1.12. Deterioração do Tijolo Maciço:
Adotar solução de acordo com a Ficha de Aplicação de Técnica TPE01, pag. 87 ou TPE04, pag. 90. Após proceder às recomendações acima procure a ficha TA02 (reintegração de reboco) e a ficha TP02 (reintegração de pintura).

Fonte de consulta: MANUAL DE CONSERVAÇÃO PREVENTIVA PARA EDIFICAÇÕES (IPHAN).



5.      JUSTIFICATIVA TÉCNICA

MANUAL DE ELABORAÇÃO DE PROJETOS DE PRESERVAÇÃO DO PATRIMONIO CULTURAL – Programa Monumenta (IPHAN).

De acordo com o Manual, a intervenção proposta trata-se de uma Reabilitação (2.2.1.5) com aproveitamento de fachada e cumeeira, tornando a edificação apta a novos usos com reforço estrutural e alteração do projeto, ou seja, será aplicada uma Consolidação ou Estabilização (2.2.1.7) para este fim.
O Estudo Preliminar (2.2.5) foi feito com pesquisas no local e entorno através de entrevistas com pessoas que ali trabalham ou residem, entrevistas com motoristas de táxi, policiais e pedestres para escolha da solução para o local, e segundo estas pessoas, optamos pela construção de um complexo ao lazer e entretenimento que possa funcionar até 24 horas por dia, complementando à necessidade, uma casa de chás com lanches e livraria na área da antiga Casa Terra.
O Projeto Básico (2.2.6) foi elaborado com essas diretrizes de acordo com as expectativas geradas nas entrevistas e inspirados em praças que convidem as pessoas a ficar nelas para conversar e relaxar. O aplicativo SketchUp foi usado para a elaboração do projeto básico para ressaltar a função utilitária com visualização gráfica e tridimensional facilitada para leigos.
Assim como dito, a principal Premissa foi a preservação da Fachada e Cumeeira com a Restauração (2.2.1.8) destes elementos.  Cabe ressaltar que este prédio ainda não foi tombado pelo INEPAC ou pelo IPHAN,
Em consulta à Secretaria de Obras e Urbanismo, não há planta do Novo Hotel Flávio registrada no endereço do mesmo.
Por ser um imóvel invadido, não foi possível fazer um levantamento detalhado em seu interior. Portanto, não foi possível realizar o trabalho completo de Análise do Bem (4.1) conforme preconiza o Manual. Principalmente, o que mais nos interessava no momento, Análise Tipológica, Identificação de Materiais e Sistemas Construtivos (4.1.3), nem tampouco as Prospecções (4.1.4) para análise consolidada.
Esta situação compromete o Diagnóstico (4.2) que prevê Mapeamento de Danos e Análise do Estado de Conservação de todo o prédio, impossibilitando assim, a Proposta de Intervenção (4.3) com riqueza de detalhes conforme Manual.

5.1. CRIAÇÃO X RESTAURAÇÃO/CONSERVAÇÃO – a dualidade da preservação
Quando se atua em preservação do patrimônio arquitetônico atua-se na esfera da dualidade entre o antigo e o novo, entre criar (inventar) e preservar (manter/conservar). Em arquitetura, o ato de criar pressupõe a invenção de um novo elemento que vai coexistir, através de sua concretização pela obra, com uma estrutura preexistente, seja ela antiga ou recente. 

6.     MEMORIAL DESCRITIVO DO NOVO HOTEL FLÁVIO
O projeto de preservação do Novo Hotel Flávio prevê a manutenção da fachada e cumeeira com instalação de reforços estruturais metálicos. Toda a alvenaria interna será removida para caber as novas instalações, mantendo o pé direito existente.
O terreno vazio ao lado do hotel e a edificação existente na esquina, tangente ao terreno, serão integrados ao projeto fazendo parte do complexo.

A setorização do complexo será feita da seguinte forma:
Primeiro piso:
Recepção na entrada principal ao lado da fachada preservada, danceteria com revestimento termo acústico nas paredes e tetos, dotada de bar, banheiros, elevadores para os pavimentos superiores, balcão do controlador de som e luzes com cabine, entrada de serviço independente, área de carga e descarga.
Segundo piso:
Restaurante, bar, banheiros, elevadores, administração, cozinha e jardim.
Terceiro piso:
Pub, banheiros, elevadores, sala de jogos, sala VIP e bar.
Cobertura:
Café, mirante e jardim.

Instalações complementares e conforto:

Elevadores (no anexo): Dois elevadores inteligentes com acesso por cartão individual de consumo que será dado a cada cliente que fizer uso das instalações, onde não será necessário a utilização de cartão de crédito ou dinheiro dentro do complexo. Fonte de consulta: Thysenkrupp.

Escadas: A escada da danceteria para o pavimento superior é dotada de antecâmara isolada acusticamente para evitar ruídos nos outros pavimentos. As outras escadas não necessitam de antecâmara.

Ventilação e Resfriamento do ar: duas unidades de ar condicionado instaladas somente para a danceteria com funcionamento automatizado por PLC, com capacidade de refrigeração de 110.000 BTUs cada unidade, refrigerada a ar, com dispositivo de mistura de ar e sensores de umidade. Difusores em dutos fixados ao teto, aparentes com revestimento na mesma cor do teto. A temperatura interna e a umidade relativa do ar interno deverão estar visíveis aos usuários em alguns pontos. Fonte de consulta: York. Os demais ambientes terão refrigeração por SPLIT independente e difusores K7 havendo a opção de usar o sistema de refrigeração ou não. Estes equipamentos serão instalados no prédio anexo.

Combate a incêndio: todo o complexo será protegido por rede de sprinklers no teto, aparentes, na cor vermelha, e as saídas de emergência serão desbloqueadas em todas as entradas e através do prédio administrativo. Os elevadores não funcionarão em caso de sinistro. A rede de sprinklers é através de sistema pressurizado por bombas específicas instaladas em porão no subsolo com cisterna específica para este fim. A instalação elétrica para as bombas será feita em padrão independente.

Iluminação cênica (de fachada): A iluminação original da fachada será reestabelecida com o aproveitamento dos pontos de iluminação existentes com o uso de lâmpadas com maior poder de iluminação ressaltando a fachada da edificação, além de receber indiretamente a luz das lâmpadas de vapor de mercúrio do poste central na praça.

Captação de água: todas as coberturas preveem instalação para captação e filtração da água para armazenamento em cisterna. Esta água captada será utilizada no sistema de combate a incêndios e em bacias sanitárias.

Não haverá alterações na cobertura do Hotel Flavio. O projeto será o mesmo com derivação da calha sem alterações de traçado, para coletor de água para a cisterna sob o prédio administrativo anexo. O setor administrativo, em particular, terá cobertura verde com receptores alveolares para retenção da água mantendo a irrigação constante da vegetação. O excesso será drenado também para a cisterna.

6.1.   FACHADAS EM PERSPECTIVA:




6.2.   PLANTAS BAIXAS:


6.3. CORTES:





6.4. DETALHES INTERNOS EM PERSPECTIVA:

BAR TÉRREO

 BOATE TÉRREO

  RESTAURANTE PAV2

 RESTAURANTE PAV2

 SALÃO PAV3

 SALÃO PAV3

 PUB PAV3

 PUB PAV3

 CAFÉ PAV4

 TERRAÇO PAV4


7. CASA DO CHÁ E PAISAGISMO DA PRAÇA:

7.1.  MEMORIAL DESCRITIVO DA CASA DO CHÁ

O projeto da Casa do Chá com Livraria deverá ser implantado na área da antiga Casa Terra, onde hoje funciona um estacionamento.
A setorização da Casa do Chá será feita da seguinte forma:
Primeiro piso:
  Cozinha para preparo de lanches, café e chá, banheiros, shopping de chás, elevador, escada, salão com mesas e cadeiras. A fachada da Casa do Chá será dotada de toldo para acomodar algumas mesas com cadeiras para o usuário que desejar observar o movimento da praça.
Segundo piso:
  Livraria, banheiros, balcão de atendimento.
Terceiro piso:
  Livraria, cyber-café, banheiros, balcão de atendimento,
Cobertura:
  Teto verde com caminho e jardim. Um jardim de inverno comum a todos os pavimentos.
Estilo arquitetônico:
  A estética da Casa do Chá resgata uma aparência bucólica e romântica convidando as pessoas ao lugar para usufruir e ficar. A intenção é que seja aconchegante para todas as idades com oferta de lanches prontos e feitos na hora, bebidas em geral e uma grande oferta de chás do mundo todo. Inspirada nos bares ou bistrôs europeus onde as pessoas utilizam a calçada com mesas para tomar chá, café e conversar.

Instalações complementares e conforto:
Elevador: Um elevador para 4 pessoas ou 1 cadeirante e 1 pessoa em pé. O objetivo deste elevador é apenas para promover a acessibilidade. Fonte de consulta: Thysenkrupp.
Escadas: A única escadaria existente, tangente ao elevador, é comum a todos os pavimentos. Lancheria, livrarias e cobertura. A escada entre o térreo e a livraria, no segundo andar, haverá porta de vidro para retenção de ar refrigerado.
Ventilação e Resfriamento do ar: haverá duas unidades de ar condicionado instaladas por andar. Cada unidade para a Casa do Chá terá 60.000 BTUs. As unidades para as livrarias terão 36.000 BTUs cada unidade a cada par por andar. Com dispositivos de mistura de ar e sensores de umidade somente na livraria e difusores em dutos embutidos na parede, próximo ao teto. A temperatura interna e a umidade relativa do ar interno deverá estar visível aos usuários em alguns pontos. Fonte de consulta: York. Os ambientes terão a opção de usar o sistema de refrigeração ou não. Os equipamentos serão instalados em laje técnica com acesso independente, por fora do prédio.
Combate a incêndio: todo o prédio será protegido por rede de sprinklers e as saídas de emergência serão desbloqueadas em todas as entradas. O elevador não funcionará em caso de sinistro. A rede de sprinklers é pressurizada por gravidade e há um reservatório d’água somente para este fim.
Iluminação: Os ambientes utilitários terão iluminação fria, os ambientes de convivência serão iluminados por iluminação incandescente ou que simulem a iluminação incandescente.
Captação de água: a cobertura prevê instalação para captação e filtração da água de chuva para armazenamento em cisterna. Esta água captada será utilizada no sistema de combate a incêndios e em bacias sanitárias. O prédio terá cobertura verde com receptores alveolares para retenção da água mantendo a irrigação constante da vegetação.

7.2.. PERSPECTIVAS DA CASA DO CHÁ E DA PRAÇA:



:


 Floreira na Casa do Chá.

 Pergulado ao lado da Igreja.

 Perspectiva do pergulado.

8.     CUIDADOS ESPECIAIS PARA A CONSERVAÇÃO E MANUTENÇÃO DO PRÉDIO HISTÓRICO

A premissa é baseada em preservação e manutenção preventivas, periódicas e com pessoas habilitadas ou qualificadas para os trabalhos exigidos nestas tarefas.
A finalidade da conservação é manter o patrimônio imobiliário (histórico e artístico) em condições íntegras permitindo que seja utilizado possibilitando a sua sobrevivência no tempo, por várias gerações no futuro.  
De acordo com o MANUAL, há um roteiro de inspeção a ser seguido com critérios de investigação, setorizando a edificação e a área externa.

A ÁREA EXTERNA à edificação deve ser inspecionada considerando o terreno em volta e a cobertura na edificação. Os indicadores de futuro problema ou deterioração nos alertam através de inspeções periódicas com base em três principais geradores de deterioração com seus indicadores:
CHUVAS: poças d’água no chão, áreas sempre úmidas no piso ou parede, rupturas, fissuras, manchas, descascamentos, bolhas superficiais, etc.
 AGENTES BIOLÓGICOS: vegetação, manchas verdes ou escuras, fissuras, excrementos de pássaros, pequenos buracos nas paredes, caminhos de cupim, etc.
INDÊNDIOS: cabos de eletricidade descobertos ou envelhecidos, caixas de distribuição infiltradas por umidade, isolamento inadequado ou inexistente, sobrecarga na instalação (manter tabela de carga atualizada), obras, material inflamável, inexistência de para-raios e falta de extintores portáteis.

 A EDIFICAÇÃO deve ser inspecionada considerando os setores abaixo relacionados. Os indicadores de futuro problema ou deterioração nos alertam através de inspeções periódicas com base em quatro principais geradores de deterioração com seus indicadores:
PAREDES: manchas, fungos e mofos, reboco pulverulento, reboco descolando, descontinuidades, descascamento de pintura e bolhas.
PISOS:
Ladrilhos Hidráulicos: peças quebradas ou ausentes, manchas, rejuntamento danificado e peças soltas.
Tijoleira: mofo, peças quebradas, manchas e rejuntamento danificado.
Mármores: mofo, peças quebradas, manchas de ferrugem e rejuntamento danificado.
Tabuado: presença de galerias de cupim de terra e sinais de outros tipos de cupim, manchas de umidade, apodrecimento de peças, arqueamento, mofo e rejuntamento danificado.
Degraus: pisos e espelhos danificados.
FORROS DE MADEIRA: presença de galerias de cupim de terra e sinais de outros tipos de cupim, manchas de umidade, apodrecimento de peças, arqueamento, mofo, rejuntamento danificado, descolamento de pintura e instalação elétrica danificada.
VÃOS E ESQUADRIAS:
Esquadrias: sinais da presença de cupim, mofos e fungos, esquadrias empenadas, rejuntamento de vidros com danos, vidros quebrados, pintura empolada, ferragens oxidadas e grades corroídas.
Vãos: fissura e quebra das molduras em massa, perda ou quebra de molduras de cantaria, fungos e mofos em cantaria, pingadeiras entupidas ou faltantes, inclinação do peitoril e soleira incorretas, infiltração no rejuntamento dos peitoris.
Baseado nas inspeções acima há no MANUAL as indicações detalhadas para conservação, limpeza e pequenos reparos a partir da pag. 41 do MANUAL, com tabelas indicando o serviço a ser feito, periodicidade e procedimento adequado para cada um deles.
O roteiro está dividido conforme os agentes indicados na inspeção, classificando os serviços por tópicos em setores específicos conforme subdivisão para inspeção.
Roteiro de limpeza: há um procedimento específico para cada tipo de limpeza indicando em alguns casos apenas água e esponja com sabão neutro até contratação de mão de obra especializada para tal.
Área externa: sugere periodicidade diária ou a cada dois anos dependendo do serviço, passando por limpeza de terreno, de vegetação, calçadas, paredes e elementos de decoração.
Edificação: também para cada tipo de serviço há uma periodicidade específica, passando por cobertura, paredes internas e externas, pisos, forros, vãos e esquadrias. As tarefas sugerem limpezas de calhas, telhas, revestimentos, reservatórios, pinturas, tijolos aparentes, tabuados, vidros, ferragens e peitoris. 
Roteiro para pequenos reparos: Com o auxílio das fichas onde anotamos os danos encontrados, procuramos orientação para realizar pequenos serviços ou a orientação necessária com outros profissionais para a correta manutenção do imóvel. Na coluna de detalhamento do roteiro podemos encontrar as indicações das fichas de diagnóstico e possíveis tratamentos que serão detalhados no item tratamentos específicos a partir da pag. 68 do MANUAL passando por Diagnóstico de Lesão e Fichas de Aplicação de Técnica, entre outras recomendações e conceitos aplicados na conservação e manutenção preventiva.

9.     CONSIDERAÇÕES URBANÍSTICAS

Este complexo atrairá movimentação e demandará vagas para automóveis e transporte público para o local.
Para estacionamentos, há no local, próximo à Praça Batalhão Tiradentes, três grandes áreas com vagas e uma área mal adaptada em frente à praça. A maior e principal delas é a área de estacionamentos na Rua 21 de Abril, esquina com a Rua Carlos de Lacerda. É a melhor área para a construção de um edifício garagem com entrada pela Rua 21 de Abril e saída pela Rua Carlos de Lacerda.
Para o transporte coletivo, além das linhas existentes na Praça São Salvador e ao longo do Rio Paraíba, a casa de lazer oferecerá três Vans nos horários de menor oferta de ônibus para clientes cadastrados além de convênio com companhias de táxis, em respeito à lei seca.
O fechamento da Rua Carlos de Lacerda entre a Av. 7 de Setembro e a Rua 21 de Abril, provocará um congestionamento na Av. 7 de Setembro até a Rua Gov. Teot. Ferreira. A solução seria instalar um semáforo no cruzamento da Av. 7 com a Carlos de Lacerda além de instalar faixas de pedestres nestes cruzamentos. O trecho fechado não ficará inacessível à automóveis. Em caso de emergências, qualquer veículo da polícia ou corpo de bombeiros poderá entrar, ou em caso de extrema necessidade, poderá ser reaberto ao tráfego de automóveis de forma controlada pela polícia municipal.
Consideramos também o aproveitamento do cais mais próximo à Pça. São Salvador, na parte baixa, como área de estacionamento controlado pela prefeitura. Esta área do cais seria coberta com piso metálico, apoiado em estrutura metálica avançando 10 metros sobre o Rio Paraíba. No centro desta extensão seria instalada uma concha acústica para apresentação de shows e apresentações públicas, conforme corte esquemático abaixo.



Planta Urbana com propostas destacadas.


10.     FONTE DE PESQUISA:

  • ·       A INTERVENÇÃO ARQUITETÔNICA EM OBRAS EXISTENTES – CASTELNOU NETO, A.M. A intervenção arquitetônica em obras existentes. Semina: Ci. Exatas/Tecnol., Londrina, v. 13, n. 4, p. 265-268, dez. 1992.
  • ·       A restauração arquitetônica entre o passado e o presente – Paulo Ormindo de Azevedo (Faculdade de Arquitetura UFBA)
  • ·       Manual de Conservação Preventiva para Edificações – IPHAN
  • ·       Conservação e Restaura – Márcia Braga
  • ·       Recomendações e Diretrizes para a adoção de princípios comuns sobre a conservação e restauração do patrimônio cultural na Europa – Apel (Acteurs du patrimoine européen et legislation - 2001).
  • ·       Manual de Elaboração de Projetos de Preservação do Patrimônio Cultural – Programa Monumenta 2005.
  • ·       http://camposfotos.blogspot.com.br

sábado, 10 de dezembro de 2011

ECLETICISMO OU ECLETISMO

Descrição de acordo com o Babylon:
e.cle.tis.mo  sm (gr eklektismós) 1. Método filosófico ou científico que reúne diversas teses conciliáveis entre si, compendiadas de sistemas distintos, prescindindo do que eles têm de incompatíveis. 2. Escola filosófica representada pelo francês Vítor Cousin, segundo a qual há em todo homem um ''sentido da verdade'', que lhe permite descobrir um fragmento ou aspecto da verdade total. 3. Hábito ou liberdade de escolher o que se julga melhor, na política, nas artes etc. Var: ecleticismo.

De acordo com o Wikipédia, Ecletismo ou Ecleticismo é um método científico ou filosófico que busca a conciliação de teorias distintas. Na política e nas artes, ecletismo pode ser simplesmente a liberdade de escolha sobre aquilo que se julga melhor, sem a apegação a uma determinada marca, estilo ou preconceito.
Pode ser considerada também uma reunião de elementos doutrinários de origens diversas que não chegam a se articular em uma unidade sistemática consistente.
Abordagem filosófica que consiste na apropriação das melhores teses ou elementos dos diversos sistemas quando são conciliáveis, em vez de edificar um sistema novo.
ARTES PLÁSTICAS
O Ecletismo é uma tipologia da arquitetura desenvolvida durante a segunda metade do século XIX. Em termos internacionais assiste-se atualmente a uma certa separação entre o Romantismo e o Ecletismo. Este, apesar de ser historicista, já não é uma verdadeira viagem para o passado, tentando copiar ou interpretar modelos históricos, mas uma tentativa de ultrapassar a estagnação sentida pelos arquitetos em relação aos revivalismos. É a arquitetura ensinada nas escolas de belas artes, recebendo em certos países a denominação “beaux-arts”, de certo modo perdida na convicção de que o estilo é mais importante que a técnica. O resultado foi uma tentativa de inovar modelos definidos anteriormente através da mistura de vários estilos. Os arquitetos, dispersos em noções de arte e artista ultrapassadas, mas agarradas a concepções vindas do Renascimento, executavam historicismos, esforçando-se por inovar recorrendo à decoração e relegando a questão técnica para os engenheiros. Estes, preocupando-se essencialmente em superar os desafios técnicos impostos pelas necessidades surgidas com a industrialização, dão origem ao capítulo mais original da arquitetura do século XIX – a chamada arquitetura do ferro. Na época era vista como técnica pura aplicada a obras de engenharia. Assim, na tentativa de agradar ao gosto comum, executavam obras em ferro respeitando os historicismos e, frequentemente, encaixados em construções ecléticas como as estações de caminho-de-ferro, revelando uma adaptabilidade completamente nova na história da arquitetura. Quando se fala de Ecletismo é ainda fundamental fazer referência ao fato de se ter assumido como um estilo típico das grandes fortunas burguesas. O século XIX marca, finalmente, o triunfo da burguesia sobre a nobreza, devido às grandes fortunas surgidas ao longo do século e, frequentemente, como consequência do seu espírito empreendedor na indústria, banco e comércio. O Ecletismo torna-se o estilo artístico preferido desta burguesia triunfante, ostentando a prosperidade económica na arquitectura. A utilização de um luxo desmedido, recorrendo à escultura, pintura e artes decorativas até à exaustão, levou a que frequentemente fosse designada como “Arquitetura Bolo de Noiva” e elegendo o Palácio Garnier da Ópera Nacional de Paris como a sua realização máxima.
 Ópera Garnier - Paris (interior)

Ópera Garnier - Paris


ECLETICISMO NO RIO DE JANEIRO

Em fins do século XIX e início do  XX observamos um período de avanços técnico-cientificos que, no Brasil, vieram de encontro à instauração de um novo regime político que precisava concretizar a imagem de um governo forte, estável e moderno; para isto a reorganização do espaço urbano teria grande utilidade. Foi neste contexto que, na arquitetura, o Ecletismo, um movimento estético, surgido na primeira metade do século XIX na França, que emprega vários estilos de construção em um mesmo prédio, atingiu seu apogeu no Brasil.
O ecletismo funcionou como forma de justificação da republica, isto por possibilitar uma arquitetura mais atualizada, tecnicamente elaborada e com mão-de-obra especializada, neste sentido preenchia os ideais positivistas de cientificidade e avanços tecnológicos.
No campo do imaginário assemelhava o Rio de Janeiro à Paris, que também tinha sofrido com problemas urbanísticos e populacionais, que foram solucionados através de poderes ditatoriais do prefeito Hausmman, boa parte da cidade foi demolida para depois ser reconstruída em estilo eclético, isto na metade do século XIX. Além de contribuir significativamente para a sistematização do ensino da disciplina no país, isto porque exigia de seus arquitetos conhecimento sobre as mais variadas formas de construção.

No site http://www.coseac.uff.br/cidades/camposturismo.htm podemos ver o seguinte texto sobre a nossa cidade:
"Campos é considerada a segunda cidade do Brasil em arquitetura eclética, tendo a frente o Rio de Janeiro, mas possui a vantagem de possuir um conjunto compacto. Além do eclético outros estilos marcam a arquitetura campista, principalmente o neoclássico e o art-noveau. Também se destaca a arquitetura religiosa, rica em exemplares que vão do barroco ao moderno.

Então, juntando tudo isso, onde termina o pastiche e começa o ecletismo, ou vice versa? Alguém pode me ajudar?

O PARADIGMA DO PASTICHE

No último dia letivo na faculdade eu fazia a apresentação de um trabalho o qual valia a minha alforria às férias quando fui atropelado durante a apresentação com o oportuno comentário da professora: -“Mas isto é pastiche!”. Eu não sabia se ria ou chorava, pois eu não tinha a menor ideia do que ela falava. Ainda bem que a curiosidade também nos move e um colega perguntou: -“O que é isso?”
Resumindo o que entendi, a professora quis dizer que era uma ofensa visual ao estilo da arquitetura local ou até excesso de estilos para um mesmo local. Eu percebi que os meus colegas até gostaram do projetinho apresentado mas a professora não ficou nada satisfeita. E eu muito menos, pois não sabia, como ainda não sei, se ela estava sendo conservadora, crítica ou limitada ao paradigma do Pastiche.
Como eu tenho o grave defeito de não absorver muito bem as críticas, repliquei com veemência  explicando que as soluções adotadas pelos arquitetos são parecidas, variando muito pouco, para este tipo de desafio o qual nos foi dado. Mesmo assim, se valendo de sua enorme experiência no ramo, ouvi a mestra dizer que estes arquitetos imprimem nestas soluções o que há de mais moderno com soluções arrojadas mostrando uma tendência natural. Só que no meu cérebro as palavras que ecoaram são outras: “A sua criatividade está limitada a paradigmas e tendências modernas. Não faça diferente.”
Sei que posso estar exagerando ou me transformando num rebelde, remando contra a maré ou o que valha, mas mesmo assim prefiro continuar pensando com o que há entre as minhas orelhas.
Não muito feliz, continuei a minha apresentação com a participação de mais três colegas que faziam parte do grupo de trabalho. Neste grupo coube a mim projetar a solução enquanto eles fizeram a pesquisa e montaram o resto. Continuei infeliz mesmo depois da apresentação, pois eu não quis torturar a professora com a avalanche de perguntas e argumentos que me vinham à cabeça.
Outra coisa que me causou indignação foi saber neste mesmo dia, assim como toda a turma, a nota do primeiro bimestre. Ou seja, no último dia de aula com uma apresentação que vale ponto, soubemos se ficamos para recuperação ou não, se faremos prova final ou não, se estamos ferrados ou não. Continuo indignado, pois ainda não sei, e mesmo que passe direto continuarei indignado, pois considero falta de respeito com os alunos.
Por fim procurei o termo Pastiche nos dicionários e na internet. Achei coisas interessantes a respeito e deixo aqui “coladas” em resumo para compartilhar com vocês:
Etimologicamente derivado da palavra italiana pasticcio (massa ou amálgama de elementos compostos), pastiche era aplicado pejorativamente, no campo da pintura, a quadros forjados com tal perícia imitativa que procuravam ser confundidos com os originais. O conceito viajou para França e pasticcio converteu-se no galicismo pastiche, no século XVIII.
Deliberadamente cultivado por inúmeros autores, o pastiche afirma-se como a escrita “à maneira de”. Faz uso de processos como a adaptação (modificação de material artístico de género para género e de uma forma para outra distinta), a apropriação (o empréstimo deliberado), a bricolagem (a criação a partir de fontes e modelos heterogéneos) e a montagem.
O pastiche reveste-se de um caráter ambivalente, ao aproximar-se da paródia e da sátira, realizando-se num misto de homenagem. Consubstancia-se frequentemente num exercício capaz de estimular a atividade imaginativa, numa prática lúdica e formadora.
Babylon - Pastiche é uma criação, baseada numa outra obra já existente, que serve de base para um resultado original em que nada se assemelha ao plágio. É uma copia grosseira de uma obra literária ou artística.
Infopédia - imitação ou decalque de uma obra literária ou artística, frequentemente com objetivos satíricos ou humorísticos.
Wikipédia - Pastiche é definido como obra literária ou artística em que se imita grosseiramente o estilo de outros escritores, pintores, músicos, etc.
O pastiche pode ser plágio, por isso tem sentido pejorativo, ou é uma recorrência a um gênero. Modernamente, o pastiche pode ser visto como uma espécie de colagem ou montagem, tornando-se uma paródia em série ou colcha de retalhos de vários textos. Nem sempre é grosseiro, como demonstra o romance Em Liberdade, de Silviano Santiago, que é pastiche do estilo de Graciliano Ramos
Minidicionário de Dermival Ribeiro – Pintura em que se imita, geralmente mal, a maneira de outro pintor; Obra literária em que se procura imitar escritor célebre; Qualquer obra literária ou artística resultante de várias fontes; Mistura, mixórdia.
Minidicionário Soares Amora – Obra grosseiramente imitada de outra; espetáculo montado com fragmentos de diversas obras.
As descrições acima não deixam dúvidas sobre as “diversas” aplicações do termo que foi muito bem esclarecido pela Mestra em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade, da UFSC, Fatima Regina Althoff, em um trabalho apresentado no primeiro Seminário Internacional História do Tempo Presente em Florianópolis, neste ano de 2011. O título de seu trabalho é “Renovação, reconstrução e pastiche – a ânsia de reproduzir a arquitetura do passado no presente”. Da página 7 em diante ficou claro para mim que o que fiz foi apenas uma caracterização alusiva, nem mais, nem menos. Daí a ser pastiche, teria que me esforçar mais.
De qualquer forma, pensando e analisando calmamente sobre a proposta que eu e meus colegas apresentamos, concordo que chamaria bastante atenção e até faria certo sucesso junto à população que apenas vê os prédios. Para quem vê arquitetura, haveria mais críticas que elogios. Mas a polêmica é válida para instigar reavaliação de conceitos.
A solução de criar um anexo ao lado de um prédio histórico e propor utilização para este pequeno complexo coube ao grupo esta tarefa. No entanto, várias regras não foram totalmente esclarecidas assim como a orientação foi pobre para o desenvolvimento desta empreitada. Mais uma vez, falha o programa de ensino.